Em um movimento significativo, o Governo do Estado anunciou um reajuste de 43,6% no valor do contrato de recapeamento da rodovia MS-377, que agora passa a ser de R$ 34,45 milhões. Este reajuste considerável surge menos de dez meses após a assinatura inicial do contrato, que havia sido firmada em R$ 23,98 milhões. Tal aumento contrasta fortemente com o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), que acumulou uma alta de apenas 6,3% nos últimos 12 meses.
O reajuste se torna ainda mais relevante ao considerar os impactos internacionais nas cotações de petróleo, que influenciam diretamente o custo do cimento asfáltico usado no recapeamento. Os ataques dos Estados Unidos ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro, resultaram em um aumento de aproximadamente 17% nas cotações de petróleo, contribuindo para o custo adicional do projeto.
A licitação inicial foi vencida pela empresa Transenge Engenharia e Construção, que conseguiu vencer o certame com um pequeno deságio, oferecendo uma redução de R$ 253 mil em relação ao valor máximo estipulado pela Agesul. Após vencer o contrato, a Transenge já havia conseguido um acréscimo de R$ 980,2 mil no valor acordado em agosto.
O que motivou o reajuste do contrato?
O reajuste, além dos fatores internacionais mencionados, ocorreu devido à pressão das empreiteiras, que alegaram aumentos nos custos dos materiais essenciais para o recapeamento. A pavimentação, principalmente feita com cimento asfáltico derivado do petróleo, viu seus custos aumentarem significativamente.
A decisão de recapeamento convencional ao invés do concreto inicialmente planejado pelo governo foi justificada pela nova opção da Arauco em utilizar 54 quilômetros de ferrovia para escoar sua produção de celulose. A movimentação fica assim menos dependente da rodovia em recapeamento, permitindo a escolha de um método menos custoso.
Os buracos extensivos na rodovia já foram alvo de ações judiciais. A Agesul está sendo processada pela Conecta Truck, que alega que um grave acidente na rodovia em outubro de 2024 foi causado pela má condição da estrada. O incidente evidenciou os perigos associados ao trecho da MS-377, frequentemente utilizado para transporte de cargas pesadas.
Como as mudanças impactam o transporte local?
A rodovia MS-377 é uma importante via para o transporte de matérias-primas e produtos acabados, especialmente de celulose pelas fábricas da Arauco e Suzano. Estimativas apontam que diariamente cerca de 150 carretas utilizam a estrada rumo ao terminal em Inocência.
Além de ser uma rota crítica para o setor de celulose, a manutenção precária da via antes do recapeamento resultou em reclamações frequentes dos motoristas e das empresas de transporte, dificultando as operações no estado e colocando vidas em risco.
Com a utilização de drones pela Arauco para identificação de fauna no projeto Sucuriú, foram descobertos novos grupos de animais em áreas não mapeadas antes. Isso evidencia também o movimento ecológico nas imediações demonstrando que a área tem um potencial não só industrial mas também ambiental significativo.
Por Sérgio Buarque
Fonte: Diário do Estado GO


